O encanto de quem está vivendo lembraça de quem um dia viveu e acreditou, que o mundo podia ser muito melhor, que era preciso fazer algo para que isso tornasse realidade, mesmo que para isso lhe custasse a própria vida. Isso parece até hipocresia, más quem fala que eles estavam errados? Hipócritas e ignorantes são aqueles que só conseguem olhar pelo lado da fantasia, ver o mundo com tantas oportunidades e achar que isso é assim porque as pessoas são diferentes. Pode até que sejam, no entanto essas pessoas tiveram que se adequar as novas realidades, aos princípios ora modernos, fazer dentro de uma cultura, aquilo que aquelas pessoas que outrora acreditaram.
Sabe nem sei o que estou escrevendo, mas acredito que temos um grande desafio pela frente, dizer para o homem moderno, para aquele que gosta de assistir televisão, que aqueles que um dia morreram lutando por um mundo melhor, já falavam nos contrastes do futuro. Eles tinham razão, as cidades estão inchadas, as famílias estão desnorteadas, os filhos crescerão e não se prepararão para a nova realidade. As terras passaram a ser área de produção agroindustrial, quer dizer, para quem estava costumado ao simples cultivo dos produtos de subsistência, das pequenas caças e das colheitas de frutos nativos hoje não podem mais viver disso, tudo deu lugar aos grandes projetos. Que cada dia avança mais e mais, e pasmem passando por cima de tudo e todos, é muito triste ver um sítio que a anos levou para ser plantado e cultivado, em poucos minutos ir a baixo, por máquinas super potentes.
Pois é, não parece, mas é muito bom conhecer essas histórias, e procurar dar crédito a quem um dia falou: é preciso ter ramais para facilitar a vida das pessoas que moram no campo, ter escolas boas e professores qualificados para ensinar no campo, posto médico funcionando nas localidades da zona rural, eletrificação rural, acesso a crédito bancário e moradia mais dígna, isso sim que era a luta daqueles que foram considerados radicais. Que por isso, tiveram que ser eliminados pelos grandes poderosos da época.
Por isso eu digo. Virgílio vive, sempre, sempre, sempre. Todos os mátires vivem sempre, sempre, sempre.
Um abraço Professor Dorival Sacramento.
terça-feira, 12 de abril de 2011
terça-feira, 5 de abril de 2011
24 ANOS SEM VIRGÍLIO SERRÃO SACRAMENTO (MEU PAI)
É bom sempre lembrar as coisas boas da vida, hoje 5 de abril, faz 24 anos que meu pai VIRGÍLIO SERRÃO SACRAMENTO morreu, assassinado em uma tarde linda e ensolarada, são 24 anos que venho refletindo sobre esse momento, e acreditem, vejo que papai nas suas palavras em vida, profetizava o que queria para seus filhos e para os trabalhadores de um modo geral, um mundo melhor de se viver, com mais oportunidade e educação ao alcance de todos. Alguns pontos realizamos, mas ainda sentimos alguma falta de oportunidades, meu irmão João Agnelo, Técnico Agrícola enfrenta o desconforto de não está exercendo a atividade. No domingo, 3 de abril fizemos uma belíssima celebração em Moju, começando no local onde Vigílio derramou seu sangue, acolhendo as pessoas que chegavam de várias localidades, de vários municípios, amigos, companheiros da época, adimiradores e curiosos, pessoas que de alguma forma reconhecem na caminhada de lutas que pessoas como Virgílio, Pe. Sérgio Tolleto, Irmã Dorith, Benezinho, Canuto, Pe. Josimo, Chico Mendes entre outros, construiram um legado muito bonito para nós hoje. Caminhamos até a pequena Igreja, mas antes de continuar a celebração participamos de um delicioso café, que com excessão do açucar, os outros ingredientes eram da colheita de nossas roças, como falou o Pe. paulinho, "este café é um verdadeiro manjar". A igreja ficou lotada a celebração dirigida pelos Padres Henrique e Paulinho uma celebração muito emocionada. Já nas terras de Virgílio, prosseguimos com a distribuição de mudas de várias plantas nativas de nossa região e pricipalmente as mudas de café, símbolo da terra de Vírgílio e os depoimentos emocionados sobre a vida de Virgílio, por Irmã Rosa, Irmã Adelaide, e dos companheiros Assopra (Abaetetuba), Raimundo Lucas (Acará), da profa. Idalba (primeiros anos de comunidade com Virgílio em Tomé Açu), assim como da mamãe e dos meus irmãos. E finalizando, com o almoço a todos os presentes, Inesquessível momento de reencontro e uma certeza, a luta daqueles que tombaram, sempre vai continuar viva, e que um dia, vamos nos encontrar numa terra cheia de harmonia e com muita paz.
Muito obrigado a quem esteve presente, e que Deus nos abençôe. Amem.
Muito obrigado a quem esteve presente, e que Deus nos abençôe. Amem.
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